Acordo da Casa Branca com Intel impede venda da unidade de produção de chips

A entrada do Governo federal dos EUA no capital da Intel, com uma participação de 10%, foi desenhada por forma a impedir que a empresa possa vender a sua unidade de produção de chips, revelou esta quinta-feira o “chief financial officer” (CFO) da Intel, David Zinsner, noticia o Financial Times.

O acordo converte em ações da Intel os subsídios no valor de 8,9 mil milhões de dólares concedidos pelo Estado. O Governo pode ainda adquirir mais 5% da empresa durante os próximos cinco anos, a um preço de 20 dólares por ação (a Intel negoceia hoje nos 24,94 dólares), se a tecnológica deixar de controlar 51% da unidade de fundição, que produz chips para outros clientes.

“Julgo que não uma grande probabilidade de que a nossa participação [na unidade] desça dos 50%, portanto antecipo que essa garantia expire”, indicou Zinsner numa conferência organizada pelo Deutsche Bank.

A unidade de fundição tem sido uma fonte de prejuízo para a Intel, tendo perdido 13 mil milhões de dólares no ano passado, o que levou a que existisse forte pressão para que fosse vendida, tendo se falado do interesse da Qualcomm na operação.

O CFO disse ainda que a entrada do Governo no capital poderá “mudar a perceção externa da empresa”, sendo que empresas como a Nvidia, Apple e Qualcomm não encomendam chips à Intel, preferindo comprar os semicondutores à TSMC.

Zinsner recusou a ideia de que possa ter havido coordenação entre a entrada do Governo no capital da empresa e a injeção de dois mil milhões de dólares feita pelo SoftBank. “Foi uma coincidência ter acontecido na mesma semana”, assegurou.