Ao assalto!

Estamos a assistir ao fim da independência do banco central americano. A estratégia de Trump é a que usou quando do Supremo Tribunal dos EUA: nomear simpatizantes até ter do seu lado a maioria dos membros do conselho de administração.

Assim controla a política monetária, única que lhe escapa, e desta forma fazer descer as taxas de juro para tentar melhorar a situação económica e ganhar as eleições de novembro de 2026 – relembre-se que os republicanos têm uma maioria na Câmara dos Representantes de apenas sete deputados, com eleição de dois deputados em setembro e novembro (por morte de dois deputados democratas.

Ou seja, se os democratas confirmarem estes dois e conquistarem três nas midterm, passam a controlar a Câmara. E também reduzir as taxas de juro é diminuir aquele que se tornou o maior item do orçamento americano, os encargos com a dívida, que excede o PIB – é uma forma adicional de esconder o custo da Big Beautiful Bill.

Neste momento, e após a renúncia de Adriana Kugler, Trump tem a seu favor três dos sete membros do board da Reserva Federal (Fed). Para o lugar de Kugler Trump designou Stephen Miran, o presidente do Council of Economic Advisers escolhido por si, e de quem diz que o conhecimento económico “não tem paralelo”. Se confirmado pelo Senado – os republicanos estão a acelerar os procedimentos para que ele possa sentar-se na reunião do Federal Open Market Committee (FOMC) de setembro – será o terceiro “agente” de Trump.

Agora está a forçar a demissão de Lisa Cook, o que lhe permitiria controlar o board. Mas isto não basta para os seus fins, pois o FOMC, que fixa a taxa de juro dos federal funds tem 12 membros, com o presidente da Fed de Nova Iorque e quatro outros presidentes regionais em rotação. Os respetivos boards têm mandatos de 14 anos e escolhem os seus presidentes , a ser aprovados a cada cinco anos pelo board da Fed, o que calha a fevereiro de 2026 – et voilà.

Jerome Powell, cujo mandato acaba em maio de 2026, está cercado, e admitiu em Jackson Hole descer a taxa de juro na reunião de setembro do FOMC (88% de probabilidade segundo o CME), dada a desaceleração da criação de emprego, e preconiza abandonar o “preemptive tightening”. Mas a inflação é 2,7%, muito acima do alvo, e estão por ver os efeitos das tarifas.

É talvez uma cedência, quando Trump já está a analisar candidatos a presidente com base num caderno de encargos que contempla a redução do pessoal, o recentrar nas tarefas core e o encerramento de algumas Fed regionais. Já não fazem bancos centrais como antigamente.