As burlas

São cada vez mais as burlas levadas a cabo através de telemóveis e emails. No caso dos telemóveis, apesar de ser obrigatória a identificação de quem compra, mesmo um número pré-pago (após 2017), temos vindo a assistir a inúmeras fraudes. Desde telefonemas a informar que receberam o currículo para análise, à oferta de emprego, passando por mensagens a solicitar o pagamento de contas de eletricidade ou água, ou ainda telefonemas em que ninguém responde, e que podem ser, talvez, as fraudes mais perigosas.

Todas as burlas têm a mesma linha condutora, explorar a fraqueza das situações mais difíceis ou que causam maior ansiedade, como desemprego, dívidas por pagar, vontade de mudar de emprego, ajuda a um familiar ou amigo… A imaginação não tem limites.

O recurso à inteligência artificial, que vai revolucionar a forma como vivemos, tem aqui também o seu reverso da medalha e que irá obrigar os seres humanos a adaptar-se a uma nova realidade – a fusão do digital com o real.

Começa a ser quase impossível distinguir uma pessoa real e virtual, e dentro de um ano, podemos receber uma videochamada de um familiar aflito a pedir uma transferência quando, na realidade, se trata de uma fraude. Estes casos já existem e envolvem fraudes de milhões de euros.

O caso dos telemóveis é ainda mais grave, pois são usados como meio de identificação eletrónica, meio de pagamento, troca de informação, e, além disso, contêm grande parte dos nossos dados.

A voz é um dado importantíssimo e muitas vezes descurado. Alguns telefonemas pretendem tão-só registar a nossa voz para, mais tarde, a utilizar em esquemas fraudulentos, o que significa que todo o cuidado é pouco. A sociedade tem de estar consciente deste tipo de cuidados adicionais.

Há 20 anos, o telemóvel servia apenas para enviar mensagens e fazer telefonemas, mas agora é o centro da nossa comunicação e ligação à sociedade. Ninguém está a salvo – particulares, empresas ou governos.

A criação de sites fraudulentos, juntamente com chamadas a fazerem-se passar por instituições credíveis, afeta todos os setores. No site da CMVM, Comissão de Mercados de Valores Mobiliários, podemos aceder à lista de instituições não autorizadas que tentam ludibriar os investidores, muitas delas com sites falsos, onde constam 26.211 nomes!

É preciso que a sociedade, como um todo, esteja desperta para estes riscos e ameaças, pois só assim poderemos proteger a nossa identidade e os nossos investimentos.