Atirar dinheiro ao fogo

Este ano tivemos o maior dispositivo de sempre de combate a incêndios em operação, com um investimento robusto em que até o PRR ajudou. Já no ano passado investiram-se 638 milhões de euros no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, o valor mais alto desde 2018. E chegamos ao fim deste agosto com pessoas e habitações em risco e com a maior área ardida desde o descalabro que foi o ano de 2017.

É desolador, mas quando as condições meteorológicas estão de feição os fogos são um problema menor, como aconteceu no ano passado. Tornam-se um desastre quando o tempo não ajuda, como este ano. A ação das autoridades parece ser indiferente, independentemente do dinheiro que atiramos ao fogo.

Temos outros exemplos, como na saúde, em que cada orçamento que é o maior de sempre é incapaz de se traduzir numa melhoria da disponibilidade ou da qualidade do serviço, resultando, pelo contrário, numa nova deterioração.

Antes de atirarmos dinheiro para cima dos problemas, talvez devêssemos apostar na gestão. No caso dos incêndios, em encontrar forma de resolver problemas que facilitem a prevenção e o combate. É preciso olhar para os terrenos, saber quem se responsabiliza por eles, encontrar um sistema que faça com que a limpeza seja mesmo feita e organizar a resposta ao infortúnio, porque o fogo, esse, não vai desaparecer. Temos até ao final da primavera para o fazer, o que parece uma eternidade… quando não há fogo.