
Sólidos dados económicos do lado de lá do Atlântico levaram os principais índices dos Estados Unidos (EUA) a fechar em alta. O S&P 500 ultrapassou a barreira dos 6.500 pontos – tendo fixado um novo máximo histórico nos 6.508,23 – pela primeira vez na história, com os investidores a virarem-se agora para a leitura do indicador preferido de inflação da Fed, conhecido durante o dia de amanhã.
O S&P 500 ganhou 0,32% para os 6.501,86 – um novo máximo de fecho –, o tecnológico Nasdaq Composite subiu 0,53% para os 21.705,16 e o Dow Jones somou 0,16% para 45.636,90 pontos.
Na véspera da divulgação do índice de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla inglesa), dados mostraram que os EUA cresceram no segundo trimestre a um ritmo ligeiramente mais rápido do que o inicialmente estimado, devido a uma recuperação nos investimentos empresariais e a um impulso extraordinário do comércio.
As estimativas do Gabinete de Análise Económica dos EUA mostraram que a economia norte-americana cresceu a uma taxa anual de 3,3% no segundo trimestre de 2025, uma forte recuperação em relação à contração de 0,5% no primeiro trimestre. O valor fica acima da primeira estimativa que apontava para um crescimento de 3%.
Noutros dados, os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA diminuíram ligeiramente em 5 mil pedidos em relação ao pico de oito semanas registado na semana anterior, para um total de 229 mil na semana terminada a 23 de agosto. O número ficou abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para um total de 230 mil pedidos.
Até agora, as empresas norte-americanas têm-se mostrado relutantes em fazer cortes de pessoal em grande escala, ainda assim, reduziram as contratações. Ao mesmo tempo, o elevado número de pedidos recorrentes de subsídio de desemprego indica que as pessoas desempregadas estão a demorar mais tempo a encontrar um emprego.
E apesar dos ganhos registados nesta quinta-feira, 28 de agosto, os investidores evitaram grandes movimentos no mercado antes de serem conhecidos os dados da inflação, que poderão trazer mais pistas sobre o ritmo dos cortes nas taxas de juro da Reserva Federal (Fed), numa altura em que a expectativa é de que o banco central venha a flexibilizar a política monetária já em setembro.
O relatório do PCE divulgado na sexta-feira deverá mostrar que este índice, excluindo os preços dos alimentos e energia por serem mais voláteis, subiu 2,9% em julho em termos homólogos. A confirmar-se, seria o ritmo de maior aceleração em cinco meses.
“Resultados [do PCE] em linha ou inferiores provavelmente consolidarão a confiança dos investidores numa redução das taxas em setembro”, disse à Bloomberg Bret Kenwell, da eToro. “Embora um resultado acima do esperado possa não excluir um corte nas taxas no próximo mês, isso poderia prejudicar o ‘humor’ de Wall Street, à medida que aumentam as preocupações com a inflação”, acrescentou o especialista.
No plano empresarial, a Nvidia – que apresentou ontem resultados do segundo trimestre fiscal de 2026 – viveu uma negociação volátil durante a sessão. Apesar de os lucros da empresa mais valiosa em bolsa terem crescido, em termos homólogos, 59% para mais de 26 mil milhões de dólares, e as receitas terem disparado 56% para mais de 43 mil milhões, o “guidance” dado acabou por desiludir os analistas. A gigante tecnológica fechou o dia a perder 0,82%.
Entre as restantes “big tech”, a Alphabet pulou 2%, a Microsoft ganhou 0,57%, a Meta subiu 0,50%, a Apple somou 0,90% e a Amazon avançou 1,08%.